segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O meu avô

Hoje visitei o meu avô.
Tem quase 90 anos e o mundo, como nós o conhecemos, para ele já não existe. Eu, aos seus olhos, passei a ser um desconhecido. Nem uma lembrança longínqua eu sou mais.
O seu mundo é agora a cama onde dorme quase todo o dia, a mesa da loja onde se senta para as refeições, um passeio curto diário, arrastando os pés cada vez mais.
O meu avô está, sabe-o toda a família, na antecâmara da morte, numa lenta e inevitável caminhada para o seu fim.
Mas hoje, constatei que o meu avô já morreu apesar de ainda estar vivo. Ou será que fui eu que morri e julgo que estou vivo?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A propósito do estado da BD em Portugal


Ultimamente, devido ao facto de ter (mais) tempo disponível, uma das minhas distracções tem sido pôr em dia as leituras de BD, nomeadamente a pilha de revistas de BD da editora italiana Bonelli, editadas no Brasil, que vinha acumulando, ainda por ler.
Hoje em dia, tirando as revistas de (alguns) personagens da Marvel Comics, da DC Comics e a Turma da Mónica, restam disponíveis nos quiosques portugueses, vulgo bancas, numa base mensal, as revistas Bonelli figurando os personagens Mágico Vento, Julia Kendall, Zagor e, como o maior de todos, o Ranger do Texas de nome Tex Willer, vulgo Tex para os amigos, inimigos e aficionados em geral.
Que saudades do tempo em que nas bancas abundava a oferta de BD... Agora atravessamos o deserto. Sinais dos tempos, a Playstation, a XBOX e a Wii mataram as estrelas da BD. E com o fim da publicação das revistas de BD Disney pela Edimpresa (não contam para mim, as revistas que servem para impingir colares e varinhas de fada), o panorama ficou mais desolador, vivendo, actualmente, o mercado generalista apenas das importações made in Brasil, onde este meio ainda granjeia algum fulgor que por terras lusas está moribundo ou em vias disso. O que vai valendo ainda são alguns nichos dominados pelos comics norte-americanos e manga japonês e a editora ASA, embora explorando o mesmo filão mais que gasto da BD franco-belga, sem inovar. De resto, il n'ya plu! Ah, e é claro, as revistas Bonelli!
Fica um desenho meu inspirado na leitura das aventuras do Tex.